Directório União Europeia

Não ataquemos o “made in Germany”

A Comissão Europeia deu início a uma "investigação aprofundada" sobre os excedentes de exportação da Alemanha, acusados de comprometer o equilíbrio da zona euro. Mas seria melhor apostar numa verdadeira governação económica e numa união bancária, considera o diretor do "Diário Económico".

António Costa

A solidariedade europeia é, seguramente, um dos pontos (mais) fracos do projecto europeu, mas a solução não passa por deteriorar as virtudes e melhorar os defeitos.

A ideia, simples, é a de que a Alemanha tem de gastar mais e, assim, os países do Sul, como Portugal, terão mais mercado para venderem os seus produtos. É uma ideia bondosa, assente, até, na convicção de que os alemães são beneficiados da zona euro.

Porquê? Porque, se tivessem o marco e não o euro, a sua moeda estaria mais valorizada e a sua competitividade (leia-se exportações) seria dificultada. Além disso, por causa da fragmentação financeira do euro, os bancos alemães e o próprio Estado são refúgios dos investidores internacionais, que até pagam para ter a segurança da maior economia da moeda única.

Sim, exige-se a solidariedade alemã, ainda mais quando países como Portugal estão a fazer ajustamentos duros e num curto espaço de tempo. A questão é saber o que devem fazer os alemães em prol da força económica da Europa e de um projeto que dizem querer defender.

UNIÃO EUROPEIA

Economia alemã demasiado competitiva para a Europa

"Bruxelas acusa a Alemanha de agravar a crise", titula Le Monde, numa altura em que a Comissão Europeia "iniciou uma investigação aprofundada sobre os excedentes das contas que envolvem [as exportações] da Alemanha": Bruxelas considera que os excedentes em questão situar-se-ão este ano, tal como em 2012, nos 7% do PIB, "superando, portanto, o limiar dos 6% estipulado durante a execução, em 2011, desta ferramenta de vigilância macroeconómica".

"Para a Alemanha, trata-se de um feito inédito", realça o diário.

Il Sole 24 Ore explica, por sua vez, que este desequilíbrio afeta a moeda única, uma vez que confere à Alemanha uma vantagem competitiva sobre os outros países da zona euro que não é compensada por uma reavaliação da sua própria moeda. O processo lançado por Bruxelas não deverá ficar concluído antes da primavera, estima o diário italiano:

Alguns economistas consideram que a iniciativa para diminuir o desequilíbrio deveria vir diretamente de Berlim, que deveria aumentar as importações dos países da zona euro em dificuldade ou aumentar os salários. [...] Mas parece que a Alemanha não se quer aventurar por este caminho: as principais empresas industriais alemãs apostam em mercados comerciais fora da Europa, que representam por enquanto metade do excedente comercial.

http://www.presseurop.eu

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