
A Comissão Europeia apresentou o pacote da primavera do Semestre Europeu de 2026. Num ambiente marcado pela incerteza geopolítica, o pacote define orientações políticas para os Estados-Membros, centrando-se especialmente no reforço da competitividade, da autonomia estratégica, da resiliência económica e social e da coesão da UE, mantendo simultaneamente a sustentabilidade orçamental.
O ciclo de 2026 do Semestre Europeu constitui um quadro analítico robusto para identificar medidas e investimentos necessários numa vasta gama de domínios, incluindo aqueles que visam reduzir as disparidades económicas, sociais e territoriais. Neste contexto, o relatório de 2026 relativo a Portugal analisa a evolução económica e social do país e avalia em que medida Portugal aplicou as recomendações específicas por país adotadas pelo Conselho em 2025.
As recomendações específicas por país fornecem orientações destinadas a cada Estado-Membro com base na análise e nos principais desafios identificados nos relatórios relativos ao país em causa.
O pacote da primavera convida os Estados-Membros a tomarem medidas para reforçar a competitividade da UE. Neste espírito, as recomendações a Portugal são as seguintes:
Supervisão orçamental no âmbito do Pacto de Estabilidade e Crescimento
Na primavera de 2026, a Comissão Europeia avaliou a conformidade dos Estados-Membros com o quadro orçamental da UE. A avaliação abrangeu 2025 e 2026 e centrou-se no crescimento da despesa líquida, tendo em conta a flexibilidade prevista na cláusula de derrogação nacional para a defesa sempre que se afigurou pertinente. A Comissão também avaliou a execução das etapas mais importantes das reformas e dos investimentos subjacentes à prorrogação dos períodos de ajustamento orçamental sempre que necessário.
Doravante, os Estados-Membros que tomem medidas para reforçar a segurança energética da Europa e acelerar o abandono dos combustíveis fósseis podem solicitar uma flexibilidade orçamental limitada ao abrigo da cláusula de derrogação nacional em vigor para despesas com a defesa. A pedido do Estado-Membro, o âmbito de aplicação da cláusula pode ser alargado para incluir medidas tomadas pelo Estado-Membro em causa desde fevereiro de 2026 que reduzam a dependência de combustíveis fósseis importados, reforçando assim a segurança e a resiliência da Europa. Respeitando o limite máximo de 1,5 % do PIB para despesas adicionais em defesa ao abrigo da cláusula de derrogação nacional, será aplicado um limite anual específico de 0,3 % do PIB no período 2026-2028 e um limite máximo cumulativo de 0,6 % do PIB nesse período especificamente a medidas de resiliência energética. Importa salientar que esta abordagem garante que todas as salvaguardas em matéria de sustentabilidade orçamental continuam plenamente em vigor.
Próximos passos
A Comissão convida o Eurogrupo e o Conselho a debater este pacote de medidas e a apoiar as orientações apresentadas. Espera encetar um diálogo construtivo com o Parlamento Europeu relativamente o conteúdo deste pacote e em cada etapa subsequente do ciclo de coordenação económica do Semestre Europeu.
Contexto
O Semestre Europeu é um processo anual de coordenação das políticas económicas e sociais da UE. Durante o Semestre, os Estados-Membros alinham as suas políticas orçamentais e económicas com os objetivos e as regras acordados a nível da UE. Através de uma melhor coordenação económica e social, o Semestre Europeu visa assegurar um crescimento económico sustentável, a criação de emprego, a estabilidade macroeconómica e a solidez das finanças públicas em toda a UE.
A calendarização do Semestre assenta em ciclos de um ano. Durante a primeira fase, os Estados-Membros debatem os seus planos económicos e orçamentais e definem em conjunto as principais prioridades. Na segunda fase do ciclo, conhecida como «semestre nacional», os Estados-Membros alinham as políticas nacionais, nomeadamente os orçamentos nacionais para o ano seguinte. A Comissão Europeia mantém um diálogo regular ao longo do ano com os Estados-Membros e as partes interessadas.